sexta-feira, 23 de maio de 2025

Regra dos 72

 

Para quem pretende investir determinado montante em regime de juros compostos, a regra dos 72 pode ser útil. Se dividirmos 72 por uma taxa de juro anual, o resultado indicar-nos-á, aproximadamente, o número de anos necessários para o capital inicial duplicar

Por exemplo, se aplicarmos 10 000 € num depósito a prazo que remunera o capital à taxa de juro anual de 3%, ao fim de 24 anos o capital acumulado será de 20 000 €. Trata-se de uma forma simples de estimar quanto tempo demorará até que o capital inicial multiplique por dois.

A regra dos 72 também pode ser utilizada para determinar a taxa de juro anual que permite duplicar o dinheiro em determinado período. Pode exemplo, se dividirmos 72 por 10 anos ficamos a saber que precisamos que um investimento remunere o capital a uma taxa de juro anual de, aproximadamente, 7,2% para que o capital inicial duplique ao fim daquele período.

Se aplicarmos a regra dos 72 à inflação, podemos saber quantos anos terão de passar até que os preços dupliquem (e que o poder de compra caia para metade). Por exemplo, se considerarmos uma taxa de inflação média de 8% ao ano, em 9 anos (72/8) perdemos metade do poder de compra inicial.

Por uma questão de preciosismo, há pessoas que utilizam o 69 ou o 70 (ou outros números próximos) em vez do 72 — em alguns casos (nomeadamente quando a taxa de juro é baixa — por exemplo, 1% ou 2%), o 69 pode dar um resultado mais aproximado. Para taxas de juro elevadas (por exemplo, 20%), números um pouco mais elevados que 72 poderão dar resultados mais próximos da realidade.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Mais casas para arrendar

 

O mercado de arrendamento continua a dar que falar: em época de campanha eleitoral, os partidos políticos digladiam-se na apresentação de medidas que permitam aumentar o número de casas disponíveis e diminuir o valor das rendas.

Há partidos que defendem a imposição de limites aos preços das rendas, para que mais pessoas consigam arrendar casas a preços mais acessíveis. Um aluno que estude economia no secundário sabe que a imposição de um preço inferior ao preço em equilíbrio provoca o aumento da procura e a diminuição da oferta, resultando no excesso de procura. Os tetos nas rendas não só não resolvem o problema como iriam agravá-lo. Mesmo que as rendas tivessem de descer (trata-se de uma imposição), à semelhança do que aconteceu noutros países que experimentaram esta medida, a oferta de casas para arrendar diminuiria drasticamente. No médio/longo prazo, o cenário seria ainda pior: menos construção; inquilinos a viver em casas piores (os senhorios não fariam as obras necessárias); mais inquilinos desprotegidos (mercado paralelo).

O problema da falta de casas para arrendar e o preço elevado das rendas ocorre porque a oferta é inferior à procura. Só a construção de novas casas (e a reabilitação de casas existentes) permite aumentar a oferta e diminuir os preços das rendas.  Este é um tema muito importante, porque tem um impacto elevado na qualidade de vida das pessoas, e por isso não deveria ser utilizado demagogicamente pelos partidos políticos.

domingo, 13 de abril de 2025

Dilema (ou paradoxo) de Triffin

 

Robert Triffin foi um economista que apresentou, na década de sessenta do século XX, no congresso americano, um dilema relacionado com a emissão de moeda (que funciona internacionalmente como moeda de reserva) que um país tem de fazer para gerar liquidez suficiente ao comércio internacional, endividando-se cada vez mais e, por essa via, pondo em causa a confiança na moeda. Há uma tensão constante entre o papel que uma moeda global terá de ter, assegurando a liquidez suficiente aos mercados, e a necessidade de equilibrar as contas externas do país emissor da moeda. Esta contradição ocorre porque a moeda é utilizada simultaneamente como moeda oficial de um país e é a moeda de referência no comércio internacional.

Para que haja comércio internacional, os países intervenientes necessitam de trocar as suas moedas. Para facilitar as trocas comerciais, os países podem utilizar uma moeda internacionalmente aceite, que seja da sua confiança, sendo que, atualmente, é o dólar dos Estados Unidos da América (EUA) que desempenha esse papel importante.

Imaginem que um país negoceia com 30 países. Sem a existência de uma moeda internacionalmente aceite e de confiança, os países aderentes ao comércio internacional teriam de manter grandes variedades de moedas de outros países. Para facilitar o comércio internacional, uma parte muito significativa das trocas é realizada em dólares americanos, servindo esta como moeda de reserva.   

No entanto, se houver muitos países a utilizar o dólar como moeda de troca, os EUA têm de fornecer a quantidade de moeda necessária. Um país que necessite de dólares terá de vender mais aos EUA do que importará daquele país, recebendo assim os dólares necessários para operar no comércio internacional. Se os EUA importarem, para a maioria dos países, muito mais do que exportam criam défices crescentes e veem-se forçados a optar por uma de duas soluções negativas: aumentar continuamente o seu défice comercial e financiar as trocas globais ou abdicar de défices e provocar falta de liquidez no comércio internacional.

Além disso, se um país cuja moeda é utilizada preferencialmente no comércio internacional (como os EUA) continuar com défices cada vez mais elevados, endividando-se cada vez mais, no longo prazo a sua moeda perderá a confiança e desvalorizar-se-á.

Resumindo, se os EUA optarem por manter a sua moeda como reserva global e, por isso, acumularem défices prevê-se a perda de confiança no dólar; se os EUA quiserem diminuir o défice haverá menos dólares e, por isso, faltará liquidez nos mercados e gerar-se-á instabilidade económica e financeira.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Jogo de soma nula

 

Em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) aos produtos importados do Canadá e do México, estes países anunciaram que vão fazer o mesmo relativamente aos produtos importados dos EUA. O Presidente, Donald Trump, pretende proteger a produção norte-americana, dificultando a entrada dos produtos com origem noutros países.

A ciência económica mostra que a abertura dos mercados e o correspondente aumento das trocas comerciais permitiram o aumento generalizado das exportações dos países que participam no comércio internacional e a melhoria da qualidade de vida das respetivas populações.  

Além de pôr em causa o crescimento económico mundial, a introdução de tarifas poderá traduzir-se no aumento da inflação e na respetiva diminuição da qualidade de vida dos norte-americanos, obrigando-os a pagar mais pelos produtos importados. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Tratado dos panos e dos vinhos

 

O tratado de Methuen, também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos, foi assinado em 1703, entre Portugal e a Inglaterra. Aquele acordo previa que Portugal comprasse a Inglaterra tecidos têxteis, isentando-os de taxas alfandegárias. Em contrapartida, a Inglaterra comprometia-se em comprar vinhos a Portugal, reduzindo as taxas alfandegárias sobre o vinho português.

Estávamos no início da Revolução Industrial, sendo a manufatura substituída pela utilização de máquinas a vapor, que permitiam o aumento significativo da produção de têxteis.

Este acordo visava a aceleração das trocas comerciais entre os dois países, contribuindo para uma aproximação comercial (e militar). Além disso, permitiu que cada um dos países apostasse mais na produção dos bens em que era mais eficiente — a Inglaterra possuía competências na produção têxtil, enquanto Portugal tinha bons recursos e competências na produção de vinho. Este acordo teve implícito o reconhecimento mútuo dos benefícios comércio internacional, sendo que cada país se especializou na produção dos bens em que era mais eficiente — mais tarde, no século XIX, o economista David Ricardo utilizou este tratado para explicar a teoria das vantagens comparativas, que defendia a especialização dos países nos bens em que são mais eficientes. A teoria das vantagens comparativas defende que a especialização é benéfica para todos os países envolvidos no comércio internacional, dado que permite alocar melhor os recursos e produzir de forma mais eficiente os bens de que as pessoas necessitam.

Nota: Na opinião de muitos, este acordo foi muito mais benéfico para a Inglaterra do que para Portugal, dado que a indústria portuguesa sofreu bastante com a concorrência dos têxteis ingleses e o vinho exportado para Inglaterra representava valores bastante mais baixos do que as importações de tecidos ingleses.

sábado, 31 de agosto de 2024

Educação financeira

 

Os estudos realizados em matéria de Educação Financeira posicionam os portugueses entre os que têm menos literacia financeira. Trata-se de um tema que deveria ser alvo de atenção por parte dos políticos, com a existência de um plano concreto que permita adquirir um conjunto de conhecimentos necessários à tomada de decisão consciente e informada dos riscos de cada um dos inúmeros instrumentos existentes.

Internacionalmente, as várias organizações têm vindo a destacar as matérias da literacia financeira, incentivando os países a adotarem medidas que permitam aumentar o nível de conhecimentos da população nesta área.

Em Portugal, apesar de existir, inclusive, um referencial de Educação Financeira, nas escolas tem sido dada pouca importância a este tema. Na minha opinião, deveria existir uma disciplina de Educação Financeira para que a literacia financeira de cada um não dependa exclusivamente da formação autodidática.

domingo, 25 de agosto de 2024

Risco de pobreza

 

O risco de pobreza é um dos indicadores económicos mais usados para medir o bem-estar das populações. Há várias formas de medir a pobreza, sendo a taxa do risco de pobreza uma das mais utilizadas. Este indicador corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos e permite medir, em termos relativos, o nível de pobreza de uma população.



Em Portugal, como se pode ver no gráfico apresentado acima (fonte: INE), nos últimos 20 anos a taxa de risco de pobreza tem diminuído ligeiramente, com algumas subidas pontuais naquele período. 

A distribuição do rendimento por adulto é assimétrica positiva, pelo que o valor médio do rendimento é superior à mediana, significando que existe uma maior concentração dos rendimentos nos valores mais baixos.

Note-se, no entanto, que terá de existir algum cuidado na análise baseada apenas naquele indicador, dado que os valores resultantes da sua aplicação dependem do rendimento mediano. Se imaginarmos uma população que, entre dois momentos diferentes, observou uma diminuição significativa do seu rendimento, uma pessoa em particular pode ser descaracterizada como pobre, apesar de continuar a viver mal e de a nova situação ter sido provocada artificialmente pela deslocação da distribuição dos rendimentos.