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domingo, 13 de abril de 2025

Dilema (ou paradoxo) de Triffin

 

Robert Triffin foi um economista que apresentou, na década de sessenta do século XX, no congresso americano, um dilema relacionado com a emissão de moeda (que funciona internacionalmente como moeda de reserva) que um país tem de fazer para gerar liquidez suficiente ao comércio internacional, endividando-se cada vez mais e, por essa via, pondo em causa a confiança na moeda. Há uma tensão constante entre o papel que uma moeda global terá de ter, assegurando a liquidez suficiente aos mercados, e a necessidade de equilibrar as contas externas do país emissor da moeda. Esta contradição ocorre porque a moeda é utilizada simultaneamente como moeda oficial de um país e é a moeda de referência no comércio internacional.

Para que haja comércio internacional, os países intervenientes necessitam de trocar as suas moedas. Para facilitar as trocas comerciais, os países podem utilizar uma moeda internacionalmente aceite, que seja da sua confiança, sendo que, atualmente, é o dólar dos Estados Unidos da América (EUA) que desempenha esse papel importante.

Imaginem que um país negoceia com 30 países. Sem a existência de uma moeda internacionalmente aceite e de confiança, os países aderentes ao comércio internacional teriam de manter grandes variedades de moedas de outros países. Para facilitar o comércio internacional, uma parte muito significativa das trocas é realizada em dólares americanos, servindo esta como moeda de reserva.   

No entanto, se houver muitos países a utilizar o dólar como moeda de troca, os EUA têm de fornecer a quantidade de moeda necessária. Um país que necessite de dólares terá de vender mais aos EUA do que importará daquele país, recebendo assim os dólares necessários para operar no comércio internacional. Se os EUA importarem, para a maioria dos países, muito mais do que exportam criam défices crescentes e veem-se forçados a optar por uma de duas soluções negativas: aumentar continuamente o seu défice comercial e financiar as trocas globais ou abdicar de défices e provocar falta de liquidez no comércio internacional.

Além disso, se um país cuja moeda é utilizada preferencialmente no comércio internacional (como os EUA) continuar com défices cada vez mais elevados, endividando-se cada vez mais, no longo prazo a sua moeda perderá a confiança e desvalorizar-se-á.

Resumindo, se os EUA optarem por manter a sua moeda como reserva global e, por isso, acumularem défices prevê-se a perda de confiança no dólar; se os EUA quiserem diminuir o défice haverá menos dólares e, por isso, faltará liquidez nos mercados e gerar-se-á instabilidade económica e financeira.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Paridade do euro relativamente ao dólar

 

Desde a entrada em circulação que o euro tem superado quase sempre o dólar. Se excetuarmos um período inicial (em 2002), quando o euro ainda tinha pouco tempo de existência, a cotação da moeda única europeia manteve-se sempre acima da cotação da moeda Norte-Americana.

Com a guerra a contribuir fortemente para a expectativa de a Zona Euro entrar em recessão, o euro tem desvalorizado significativamente ao longo dos últimos meses e, há alguns dias, foi atingida a paridade com o dólar. O atraso do Banco Central Europeu em tomar medidas que permitam limitar a inflação (aumento das taxas de juro) contribui para que o dólar continue a valorizar-se em relação à moeda europeia.

Em termos de trocas comerciais, a subida da cotação do dólar relativamente ao euro permite que as empresas europeias consigam vender os seus produtos a preços mais baixos aos clientes Norte-Americanos. Pelo contrário, os clientes europeus terão de pagar mais pelos produtos importados que estejam cotados os dólares, como é o caso das matérias-primas energéticas.