quinta-feira, 9 de julho de 2026

Reação a incentivos

 

Parafraseando Charlie Munger, conhecido investidor norte-americano, mostra-me o incentivo e eu mostrar-te-ei o resultado. As nossas decisões são tomadas com base em incentivos. Ainda que de forma diferente e com níveis de intensidade adequados a cada pessoa, o comportamento humano é claramente influenciado pelos incentivos.

Se uma empresa remunerar bem o trabalho suplementar, é provável que haja mais trabalhadores disponíveis para fazer trabalho adicional quando ela necessitar. Se os preços de um bem diminuírem, em princípio, os consumidores estarão dispostos a adquirir maior quantidade desse bem. Complementarmente, alguns empresários poderão distanciar-se da produção ou comercialização daquele bem.

O comportamento humano depende de inúmeras variáveis, pelo que os resultados dos incentivos não são exatamente iguais em todas as circunstâncias e em diferentes momentos históricos. Apesar disso, comete-se um erro grave quando as decisões são tomadas ignorando os incentivos. Note-se que os incentivos podem ser de variada natureza, muito além dos financeiros (prestígio, reconhecimento, entre outros).

Atualmente, muitos governos têm concedido diversos apoios à aquisição de veículos elétricos, acreditando que as empresas e os consumidores troquem os carros movidos a combustíveis fósseis por outros menos poluentes.   

Os políticos e comentadores que calcorreiam a nossa praça esquecem-se, muitas vezes, da importância que os incentivos têm no comportamento humano, ficando-se pela simples declaração de intenções, que ignora ou contraria a reação natural das pessoas aos incentivos. As declarações de intenções que contrariem os incentivos têm fraca probabilidade de serem alcançadas.