Nos
últimos dias, algumas dezenas de milhares de africanos entraram em
Ceuta (Espanha), tendo desencadeado algumas discussões sobre a
possibilidade de as pessoas circularem livremente pelos países que
pertencem ao Espaço Schengen. Apesar de a Espanha pertencer ao
Espaço Schengen, Ceuta tem um estatuto especial e não faz parte
daquele espaço.
O
Espaço Schengen é uma área onde as pessoas podem circular sem
necessidade de passar por controlos fronteiriços — Schengen é uma
localidade luxemburguesa e representa o local onde o Acordo de
Schengen foi assinado.
Apesar
de o Espaço
Schengen e o projeto europeu serem projetos relacionados, têm
enquadramentos e dimensões diferentes. O projeto de constituição
da União Europeia, como o
conhecemos hoje, iniciou-se
depois da Segunda Guerra Mundial e foi sendo construído ao longo das
últimas décadas, tendo envolvido várias etapas de integração e
alcançado etapas cada vez mais aprofundadas, complexas e
interdependentes, que foram sendo acrescentadas à medida que os
países iam acordando.
Em
1985, durante o processo de integração da União Europeia, alguns
países (França, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos)
decidiram antecipar-se numa das dimensões de integração,
eliminando a necessidade de controlos fronteiriços entre as pessoas
que atravessavam os países aderentes.
Refira-se
que o Espaço
Schengen não visa
a simples eliminação dos controlos fronteiriços nas fronteiras
internas, mas a harmonização de regras e procedimentos e a
cooperação entre os países aderentes no que diz respeito ao
controlo das fronteiras externas.
Em
1999,
a União Europeia integrou o
Acordo de Schengen na sua legislação.
Atualmente, o Espaço
Schengen abrange 29 países, havendo países integrados na União
Europeia que, por diferentes motivos, não fazem parte do Espaço
Schengen (Chipre e Irlanda) e outros que não pertencem à União
Europeia, mas fazem parte do Espaço
Schengen (Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein).
Apesar
de se tratar de circunstâncias
excecionais (por exemplo, em caso de terrorismo), os países podem
reintroduzir controlos temporários nas suas fronteiras. Na altura da
COVID-19, alguns países decidiram reintroduzir controlos
fronteiriços durante algum tempo. Ainda devido
à
situação de Ceuta, a Espanha e a Itália optaram por reintroduzir
controlos parciais na circulação das pessoas entre os dois países.