A
oferta pública inicial (IPO) da SpaceX,
empresa de Elon Musk, trouxe aos
mercados enorme euforia, tornando-se num tema de muita celeuma mediática,
muitas vezes focado em assuntos acessórios que pouco acrescentam à realidade
económica. Além de alguns factos interessantes que esta operação apresentou, há
um fator que, apesar de não ser comummente analisado, deveria merecer a nossa
atenção.
Se
fosse realizada por uma empresa europeia, esta operação teria o mesmo sucesso?
Como sabemos, os mercados norte-americano e europeu são completamente
diferentes no que diz respeito ao financiamento da sua atividade económica: nos
EUA, uma parte muito significativa do financiamento das empresas é realizado
através dos mercados de capitais, enquanto a Europa aposta muito mais no
endividamento.
Nos
Estados Unidos da América existe um ecossistema muito desenvolvido que facilita
a assunção do risco. Desde os procedimentos burocráticos, muito mais simples e
propensos ao investimento em capital de risco, até à existência de um conjunto
de pessoas e entidades (fundos, bancos especializados, entre outros)
imprescindíveis à sua operacionalidade, a cultura vigente e toda a estrutura
promovem a abertura e a partilha do risco por parte dos investidores.
O
dinheiro angariado com a oferta pública pode ser utilizado, por exemplo, para
investir em inovação e desenvolvimento. Dado que se trata de uma empresa que
necessita de avultadas quantias para suportar a sua expansão, esta é uma das
formas mais eficientes de obter respetivo financiamento.
Segundo
as notícias, Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário do mundo. O mais curioso
é que esta cifra foi alcançada depois da dispersão e partilha de capital da
empresa no mercado. A oferta pública permitiu fazer uma avaliação da empresa,
razão pela qual só agora ficou a ser conhecido o valor de mercado da
participação de Elon Musk na empresa.