A taxa de esforço corresponde à percentagem dos rendimentos líquidos auferidos por uma pessoa ou família que é absorvida pelo pagamento dos empréstimos. Por exemplo, a taxa de esforço de uma família com um rendimento mensal de 3000 € que entregue ao banco 1500 € em prestações relacionadas com créditos existentes é de 50% (1500 / 3000 x 100).
A taxa de esforço é uma das componentes mais importantes para os bancos, dado que lhes permite analisar o risco de crédito do devedor. As famílias também devem saber qual é a sua taxa de esforço, de modo que possam tomar decisões financeiras mais acertadas que não ponham em risco a capacidade de pagamento dos empréstimos obtidos.
Nos contratos celebrados até julho de 2026, o Banco de Portugal recomendava uma taxa de esforço máxima de 50%, tendo reduzido este limite máximo para 45% nos contratos celebrados a partir de agosto de 2026 — este limite inclui algumas exceções, em que os bancos podem conceder empréstimos a pessoas cuja taxa de esforço seja superior. Cada situação merece uma análise especial, mas convém ressalvar que, prudentemente, muitas instituições aconselham a que a taxa de esforço não ultrapasse os 35%.
Cada situação merece uma análise específica, pelo que, além da taxa de esforço, devem ser considerados outros fatores importantes, como, por exemplo, a idade, o tipo de rendimentos ou a estabilidade no emprego. Considero que, em muitos casos, uma taxa de esforço de 30% ou 35% é exagerada. Mesmo que a taxa de esforço seja de 30% e que haja alguma estabilidade nos rendimentos auferidos, há outros fatores que devem ser analisados antes de se tomar a decisão de endividamento.
A maioria dos empréstimos está associada a taxas variáveis, cuja tendência de médio e longo prazo é muito incerta. Um aumento significativo das taxas de referência repercute-se no aumento das prestações e, consequentemente, no aumento da taxa de esforço. A maturidade de muitos empréstimos vai além da entrada do devedor na reforma, sendo este um momento clássico de redução dos rendimentos e do aumento de alguns tipos de despesas (saúde...). Nessa altura, a diminuição dos rendimentos contribui para o aumento automático da taxa de esforço.