O princípio das vantagens comparativas, formulado por David Ricardo no início do século XIX, estabelece que um país deve especializar-se na produção de bens e serviços em que é mais eficiente (ou menos ineficiente), independentemente de ter ou não vantagem absoluta. Dito de outra forma, um país deve especializar-se na produção de bens em que o custo de oportunidade é menor, conseguindo gerar maiores rendimentos, suficientes para adquirir os restantes bens a outros países e ainda ficar a ganhar dinheiro. A aplicação do princípio das vantagens comparativas permite o aumento da produção total e da sua qualidade e, consequentemente, do bem-estar das sociedades.
A teoria das vantagens comparativas defende que um país pode beneficiar do comércio internacional quando se especializa na produção dos bens em que é mais eficiente, mesmo que tenha vantagem absoluta na produção de muitos ou todos os bens.
Além dos benefícios para o comércio internacional relacionados com a especialização nos bens em que há um menor custo de oportunidade, este princípio é muito importante nas empresas e na nossa vida quotidiana.
Quando se trabalha em equipa, em casa ou no trabalho, convém que as tarefas sejam distribuídas de forma que seja obtido o maior rendimento possível. Entre os elementos de um casal, imagine que o Carlos é melhor do que a Ana na realização de duas tarefas, cozinhar e limpar a casa, sendo um perito na cozinha; a Ana realiza as duas tarefas razoavelmente, mas não é especialista em nenhuma delas. Neste caso, os resultados obtidos serão melhores se o Carlos optar por cozinhar e a Ana por limpar a casa.
Na realização de um trabalho escolar, as tarefas também devem ser distribuídas de modo que cada elemento possa utilizar melhor as suas potencialidades. Se um deles for muito melhor do que os restantes na pesquisa, deve ser este elemento a realizar aquela tarefa.
Nas empresas, a escolha dos bens a produzir deve considerar o menor custo de oportunidade. Se uma empresa é especialista no fabrico de sapatos de segurança (preparada para grandes séries, funcionários com formação e experiência na área, máquinas inovadoras e otimizadas...), então poderá não ser uma ótima ideia aceitar a produção de algumas pequenas encomendas de sapatilhas desportivas. Além de não ter a experiência e os recursos suficientemente preparados para esta nova situação, e de o risco de as coisas não correrem bem aumentar, a empresa está a utilizar mal o seu tempo, abdicando de produzir o que faz bem