Parafraseando
Charlie Munger, conhecido investidor
norte-americano, mostra-me o incentivo e eu mostrar-te-ei o resultado. As
nossas decisões são tomadas com base em incentivos. Ainda que de forma
diferente e com níveis de intensidade adequados a cada pessoa, o comportamento
humano é claramente influenciado pelos incentivos.
Se
uma empresa remunerar bem o trabalho suplementar, é provável que haja mais
trabalhadores disponíveis para fazer trabalho adicional quando ela necessitar.
Se os preços de um bem diminuírem, em princípio, os consumidores estarão
dispostos a adquirir maior quantidade desse bem. Complementarmente, alguns
empresários poderão distanciar-se da produção ou comercialização daquele bem.
O
comportamento humano depende de inúmeras variáveis, pelo que os resultados dos
incentivos não são exatamente iguais em todas as circunstâncias e em diferentes
momentos históricos. Apesar disso, comete-se um erro grave quando as decisões
são tomadas ignorando os incentivos. Note-se que os incentivos podem ser de
variada natureza, muito além dos financeiros (prestígio, reconhecimento, entre
outros).
Atualmente,
muitos governos têm concedido diversos apoios à aquisição de veículos
elétricos, acreditando que as empresas e os consumidores troquem os carros movidos
a combustíveis fósseis por outros menos poluentes.
Os
políticos e comentadores que calcorreiam a nossa praça esquecem-se, muitas
vezes, da importância que os incentivos têm no comportamento humano, ficando-se
pela simples declaração de intenções, que ignora ou contraria a reação natural
das pessoas aos incentivos. As declarações de intenções que contrariem os
incentivos têm fraca probabilidade de serem alcançadas.
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