A
lei da procura e da oferta é um dos temas mais abordados neste blogue, dado o
interesse pessoal e o papel que a mesma tem na economia. Trata-se de um modelo
que, tendo em conta as forças da procura e da oferta, determina o que tende a
ser produzido, assim como as respetivas quantidades e preços.
Um
dos erros comummente praticados na análise consiste em explicar determinada situação
tendo em conta a variação de apenas uma das componentes (procura ou oferta).
Apesar de, em muitos casos, os movimentos verificados se deverem,
essencialmente, a uma das variáveis, o resultado tem sempre em conta as forças
exercidas pelas duas componentes.
Normalmente,
o equilíbrio do mercado surge da interação entre os compradores e os
vendedores. Para os preços subirem não basta que a procura aumente ou que a
oferta diminua; é necessário perceber a interação entre as duas forças do
mercado. Por exemplo, o preço das casas pode aumentar mesmo quando a oferta
aumenta, desde que o aumento da procura seja superior ao aumento da oferta.
A
elasticidade da oferta pode ser entendida como a variação percentual da
quantidade oferecida em função da variação percentual do respetivo preço.
Quanto mais fácil e rapidamente as empresas conseguirem responder às variações
de preço, mais elástica é a oferta. Se a elasticidade da oferta de um bem for
elevada, as empresas conseguem responder rapidamente aos incentivos gerados
pela subida dos preços, pelo que o preço tende a aumentar pouco; se a oferta de
um bem for pouco elástica, então um aumento da procura tenderá a provocar um
aumento significativo do preço.
Relativamente
ao mercado da compra e venda de casas, geralmente a oferta é pouco elástica,
pelo que não é possível, num curto espaço de tempo, aumentar significativamente
a oferta de casas. Quando a procura de casas aumenta muito, os preços tenderão a
subir significativamente durante mais tempo, dado que a oferta demorará
bastante tempo para conseguir acompanhar o aumento da procura. A habitação é uma
das áreas mais estudadas pelos economistas quando pretendem analisar a
elasticidade da oferta.
Há
vários fatores que determinam a elasticidade da oferta, pelo que, relativamente
a Portugal, há regiões onde a elasticidade é maior e outras onde a oferta é
menos elástica. Em Portugal, há poucos estudos aprofundados que analisem a
elasticidade da oferta de casas nas diferentes regiões. Apesar disso, os
estudos existentes evidenciam que a oferta de habitação, no geral, é menos
elástica nas áreas metropolitanas do litoral, particularmente Lisboa e Porto, e
mais elástica nas áreas do interior. A concorrerem para a fraca elasticidade da
oferta de casas estão diversos fatores, como a indisponibilidade de solos, a excessiva
burocratização e regulamentação, os custos elevados de construção ou a
dificuldade de contratação.
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