terça-feira, 23 de junho de 2026

Elasticidade da oferta

 

A lei da procura e da oferta é um dos temas mais abordados neste blogue, dado o interesse pessoal e o papel que a mesma tem na economia. Trata-se de um modelo que, tendo em conta as forças da procura e da oferta, determina o que tende a ser produzido, assim como as respetivas quantidades e preços. 

Um dos erros comummente praticados na análise consiste em explicar determinada situação tendo em conta a variação de apenas uma das componentes (procura ou oferta). Apesar de, em muitos casos, os movimentos verificados se deverem, essencialmente, a uma das variáveis, o resultado tem sempre em conta as forças exercidas pelas duas componentes.

Normalmente, o equilíbrio do mercado surge da interação entre os compradores e os vendedores. Para os preços subirem não basta que a procura aumente ou que a oferta diminua; é necessário perceber a interação entre as duas forças do mercado. Por exemplo, o preço das casas pode aumentar mesmo quando a oferta aumenta, desde que o aumento da procura seja superior ao aumento da oferta.

A elasticidade da oferta pode ser entendida como a variação percentual da quantidade oferecida em função da variação percentual do respetivo preço. Quanto mais fácil e rapidamente as empresas conseguirem responder às variações de preço, mais elástica é a oferta. Se a elasticidade da oferta de um bem for elevada, as empresas conseguem responder rapidamente aos incentivos gerados pela subida dos preços, pelo que o preço tende a aumentar pouco; se a oferta de um bem for pouco elástica, então um aumento da procura tenderá a provocar um aumento significativo do preço. 

Relativamente ao mercado da compra e venda de casas, geralmente a oferta é pouco elástica, pelo que não é possível, num curto espaço de tempo, aumentar significativamente a oferta de casas. Quando a procura de casas aumenta muito, os preços tenderão a subir significativamente durante mais tempo, dado que a oferta demorará bastante tempo para conseguir acompanhar o aumento da procura. A habitação é uma das áreas mais estudadas pelos economistas quando pretendem analisar a elasticidade da oferta. 

Há vários fatores que determinam a elasticidade da oferta, pelo que, relativamente a Portugal, há regiões onde a elasticidade é maior e outras onde a oferta é menos elástica. Em Portugal, há poucos estudos aprofundados que analisem a elasticidade da oferta de casas nas diferentes regiões. Apesar disso, os estudos existentes evidenciam que a oferta de habitação, no geral, é menos elástica nas áreas metropolitanas do litoral, particularmente Lisboa e Porto, e mais elástica nas áreas do interior. A concorrerem para a fraca elasticidade da oferta de casas estão diversos fatores, como a indisponibilidade de solos, a excessiva burocratização e regulamentação, os custos elevados de construção ou a dificuldade de contratação. 

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