Ontem,
o Banco Central Europeu (BCE) decidiu aumentar as taxas de referência em 25
pontos-base, para 2,25%. Na zona euro, o BCE é a entidade responsável pela
manutenção da estabilidade dos preços dos bens e serviços.
Dado
que os preços têm subido nos últimos meses, e tendo em conta as críticas de que
o BCE foi alvo há alguns anos (depois da pandemia da COVID-19), desta vez
resolveu subir já as taxas de juro de referência em vez de esperar mais algum
tempo até ver a dimensão da subida dos preços.
O
momento atual não é o mais claro quanto à necessidade de mexer nas taxas de
juro. Mesmo sabendo que o único mandado do BCE é o de manter a estabilidade dos
preços, a economia passa por uma conjuntura periclitante: ao mesmo tempo que os
preços sobem, a economia cresce muito pouco, havendo receio de que possamos entrar
em estagflação.
A
taxa de referência é a taxa que o BCE paga ou cobra aos bancos comerciais nas
suas relações com eles. Estas taxas, que o BCE cobra ou paga aos bancos comerciais
quando estes necessitam de financiamento ou pelo dinheiro que têm depositado no
BCE, influenciam as taxas de juro que os bancos comerciais cobram ou pagam às
famílias ou empresas.
A
subida das taxas de juro de referência visa refrear o aumento dos preços,
encarecendo os empréstimos já existentes e dificultando a concessão de novos
empréstimos. No entanto, apesar de não fazer parte das suas funções, a economia
dá sinais de estagnação, pelo que a atuação do BCE merece ponderação
suplementar. A subida das taxas de juro ajudará o BCE a controlar a inflação,
mas também contribuirá para que as famílias e empresas paguem mais pelos empréstimos
já existentes e as desincentivem de contrair novos empréstimos. Nesta altura, há
um equilíbrio muito difícil de fazer entre o controlo da inflação e o crescimento
da atividade económica. Apesar disso, considero que o BCE tomou a decisão mais
correta.
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