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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Aumento das taxas de referência

 

Ontem, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu aumentar as taxas de referência em 25 pontos-base, para 2,25%. Na Zona Euro, o BCE é a entidade responsável pela manutenção da estabilidade dos preços dos bens e serviços.

Dado que os preços têm subido nos últimos meses, e tendo em conta as críticas de que o BCE foi alvo há alguns anos (depois da pandemia da COVID-19), desta vez resolveu subir já as taxas de juro de referência em vez de esperar mais algum tempo até ver a dimensão da subida dos preços.

O momento atual não é o mais claro quanto à necessidade de mexer nas taxas de juro. Mesmo sabendo que o único mandato do BCE é o de manter a estabilidade dos preços, a economia passa por uma conjuntura periclitante: ao mesmo tempo que os preços sobem, a economia cresce muito pouco, havendo receio de que possamos entrar em estagflação.

A taxa de referência é a taxa que o BCE paga ou cobra aos bancos comerciais nas suas relações com eles. Estas taxas, que o BCE cobra ou paga aos bancos comerciais quando estes necessitam de financiamento ou pelo dinheiro que têm depositado no BCE, influenciam as taxas de juro que os bancos comerciais cobram ou pagam às famílias ou empresas.

A subida das taxas de juro de referência visa refrear o aumento dos preços, encarecendo os empréstimos já existentes e dificultando a concessão de novos empréstimos. No entanto, apesar de não fazer parte das suas funções, a economia dá sinais de estagnação, pelo que a atuação do BCE merece ponderação suplementar. A subida das taxas de juro ajudará o BCE a controlar a inflação, mas também contribuirá para que as famílias e empresas paguem mais pelos empréstimos já existentes e as desincentivem de contrair novos empréstimos. Nesta altura, há um equilíbrio muito difícil de fazer entre o controlo da inflação e o crescimento da atividade económica. Apesar disso, considero que o BCE tomou a decisão mais correta.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Estagflação?

A inflação tem como principal consequência a diminuição do poder de compra e a consequente deterioração qualidade de vida das famílias. Além da inflação, cada vez mais economistas preveem que a economia estagne e haja um aumento significativo do desemprego. Chama-se estagflação ao cenário económico que combina inflação, com estagnação económica e aumento do número de desempregados.  Como se percebe, um cenário de estagflação trará graves consequências, tanto para as empresas (menores investimento, menores lucros, etc.) como para as famílias (menor poder de compra, aumento da pobreza, etc.).

Perante um cenário de inflação, os bancos centrais podem atuar aumentando as taxas de juro; num cenário de estagflação, a gestão é muito mais difícil, já que, por um lado, é necessário controlar o aumento dos preços, mas, por outro lado, também é necessário ajudar as famílias e as empresas que vão cair numa situação difícil…