A atual situação francesa é dramática, com manifestações constantes da população a exigir a resolução dos principais problemas económicos e sociais existentes no país. As contestações tiveram início com os estudantes a exigirem melhorias nas condições de ensino (mais professores e melhores condições das escolas, entre outras causas), mas depressa alastraram a outros setores da sociedade.
As contestações têm provocado alguns confrontos violentos e a destruição de uma variedade de edifícios e equipamentos públicos e privados. Estes confrontos surgem numa altura de enorme sensibilidade política: por um lado, o governo necessita de equilibrar as contas públicas; por outro, existe uma pressão constante da população para serem tomadas medidas que contribuam para a melhoria dos serviços públicos e para a diminuição do custo de vida.
Nos últimos anos, a França tem apresentado défices orçamentais elevados, ultrapassando significativamente a meta dos 3%. Ao contrário de Portugal, que conseguiu reduzir a dívida pública em função do PIB, a dívida pública francesa tem apresentado uma evolução ascendente e já está perto dos 120% do PIB.
Este desequilíbrio das contas públicas tem provocado uma desconfiança generalizada dos credores, pelo que os custos de financiamento estão em crescendo e, neste momento, já estão a caminho de se tornarem insustentáveis. Para se financiar a 10 anos, o Estado português paga menos de 4% de juros; a França já paga quase 5% (na Alemanha, os custos deste tipo de financiamento rondam os 3,5%).
A resolução da atual situação francesa assenta em premissas difíceis de alinhar: a redução do défice e, pelo menos, a estabilização da dívida não são compatíveis com o aumento da despesa que os franceses têm pedido na rua.
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