Imagine um jovem casal que acaba de se juntar e decide adquirir uma habitação própria, recorrendo ao financiamento bancário. Trata-se de um desejo normal e lisonjeiro: construir ou adquirir uma habitação própria que corresponda aos seus gostos e necessidades.
Os dados mostram que a concessão de crédito para a compra de habitação própria tem crescido significativamente em Portugal. Depois de um período em que o combate à inflação provocou uma subida das taxas de juro, repercutindo-se no aumento dos custos dos empréstimos e na consequente diminuição dos empréstimos concedidos, a partir de 2024 temos assistido a um crescimento forte da concessão de crédito para a compra de habitação própria.
As descidas das taxas de juro verificadas nos últimos meses, conjugadas com algumas medidas de apoio à compra de casa por parte dos jovens (como a garantia pública dada pelo Governo a determinado tipo de empréstimos ou as isenções fiscais em IMT e Imposto de Selo), contribuíram para que cada vez mais jovens recorressem ao financiamento bancário para adquirirem casa para habitação própria.
Se o jovem casal precisar de 200 000 € de financiamento bancário, a prestação mensal a pagar ao banco durante o período do empréstimo (por exemplo, 30 anos) incluirá, entre outros encargos, a amortização da dívida e os juros. O valor da prestação depende de muitos fatores, como, por exemplo, dos rendimentos ou da capacidade negocial do cliente, mas, em termos médios, é provável que, nas condições atuais, o casal fique obrigado a entregar cerca de 1000 € mensais, durante 30 anos, ao banco.
Mesmo sabendo que os novos contratos de financiamento apostam mais na taxa mista (taxa fixa nos primeiros anos do contrato e taxa variável nos anos restantes), no médio/longo prazo, a subida das taxas de juro terá um enorme impacto na carteira dos devedores.
O passado recente já nos mostrou que o mundo está mais instável, pelo que é cada vez mais difícil prever o que acontecerá no futuro. Sabendo que as subidas das taxas de juro têm impacto direto nos custos dos empréstimos, o fardo do jovem casal pode tornar-se cada vez mais pesado e, quem sabe, insuportável.
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