Têm sido veiculadas algumas notícias sobre a evolução dos preços dos combustíveis, que, aparentemente, não acompanham o preço do petróleo. Há muita gente a referir que os preços dos combustíveis refinados sobem sempre que o preço do petróleo sobe, mas o ritmo e o período de resposta não são os mesmos quando o preço do petróleo desce.
Além da matéria-prima e da margem de lucro dos operadores, o combustível que os agentes económicos utilizam para abastecer os seus veículos inclui outros custos associados à refinação, transporte, armazenamento, seguros, impostos, entre outros.
Alguns estudos realizados sobre o tema apontam para uma rigidez superior da procura de gasóleo relativamente à gasolina. No curto ou médio prazo, a procura de gasóleo reage pouco ao preço, ou seja, a quantidade procurada de gasóleo não é significativamente afetada pelo aumento do preço do combustível. Ainda há muitas atividades profissionais que utilizam veículos movidos a gasóleo (transporte de mercadorias, autocarros, máquinas industriais, entre outros), pelo que a subida ou descida do preço do combustível não influencia de forma significativa a respetiva quantidade procurada. As variações dos preços teriam de ser intensas para haver uma variação significativa da procura de gasóleo.
As alterações de tipologia de transporte usados pelas pessoas e empresas demoram muito a ser concretizadas. Em alguns casos (por exemplo, na área dos transportes de mercadorias), a oferta de outro tipo de transportes ainda é muito limitada ou inexistente, pelo que a procura por transportes movidos a gasóleo se mantém.
A União Europeia tem adotado medidas que dificultam ou penalizam os agentes económicos que produzam ou comercializem bens mais poluentes, levando ao desinvestimento por parte das empresas na refinação do gasóleo. Estas medidas têm provocado o aumento dos custos para as empresas, pelo que a oferta de gasóleo no mercado tem diminuído. A redução da oferta implica que, para cada nível de preço, a quantidade oferecida é menor.
Independentemente de um possível cartel dos operadores, como advogam muitos políticos e analistas mas que várias , a redução da oferta de gasóleo e a manutenção da procura em níveis elevados exercem pressão sobre os preços.
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