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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Capital de risco

Daniela Braga é uma gestora portuguesa, fundadora de uma empresa na área da Inteligência Artificial, tem recebido inúmeros prémios e figura em várias listas como uma das mulheres mais empreendedoras do mundo.

Numa entrevista à RTP, em 2023, Daniela Braga afirmou que “O capital de risco não é dado pelos bancos, porque esses não dão capital de risco, só dão capital sem risco… ”

A sua empresa foi financiada por meio de capital de risco, sendo que Daniela Braga conseguiu captar várias dezenas de milhões de dólares de financiamento através daquela modalidade, sendo, naquela altura, o maior valor angariado por uma empresa fundada por uma mulher.  

No entanto, como referiu Daniela Braga, os bancos tendem a emprestar dinheiro apenas quando a empresa já tem um historial de sucesso, pelo que a obtenção de financiamento por parte de uma nova empresa que necessita de quantias significativas para desenvolver o seu negócio é difícil.  

As novas empresas ainda não têm um historial de sucesso para mostrar aos bancos para que estes lhes emprestem o dinheiro de que necessitam. Algumas novas empresas, principalmente as que têm uma forte componente tecnológica, necessitam de avultadas quantias monetárias para desenvolver os seus negócios.

O financiamento de uma empresa é um dos fatores que mais condicionam o seu sucesso. Se uma empresa não conseguir obter o financiamento de que necessita para desenvolver a sua ideia de negócio, o seu futuro fica automaticamente hipotecado.  

Os Estados Unidos da América (EUA) têm uma cultura e um ecossistema económico assentes no risco e no empreendedorismo, enquanto na Europa, especificamente em Portugal, as novas empresas têm muito maior dificuldade em financiar-se, dado que os bancos são, muitas vezes, o único meio de obter financiamento e estes só emprestam quando existe um risco calculado. O ecossistema existente nos EUA, criado e desenvolvido ao longo dos 250 anos da sua existência, é muito mais favorável ao risco empresarial e permitiu-lhes alcançar um nível de desenvolvimento muito superior ao dos países europeus.   


sábado, 1 de fevereiro de 2025

Jogo de soma nula

 

Em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) aos produtos importados do Canadá e do México, estes países anunciaram que vão fazer o mesmo relativamente aos produtos importados dos EUA. O Presidente, Donald Trump, pretende proteger a produção norte-americana, dificultando a entrada dos produtos com origem noutros países.

A ciência económica mostra que a abertura dos mercados e o correspondente aumento das trocas comerciais permitiram o aumento generalizado das exportações dos países que participam no comércio internacional e a melhoria da qualidade de vida das respetivas populações.  

Além de pôr em causa o crescimento económico mundial, a introdução de tarifas poderá traduzir-se no aumento da inflação e na respetiva diminuição da qualidade de vida dos norte-americanos, obrigando-os a pagar mais pelos produtos importados. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Os números também enganam...

 

Nas últimas semanas tivemos a oportunidade de conhecer os números do Produto Interno Bruto (PIB) de vários países. Ao olhar para os números divulgados na televisão, chamou-me atenção a diminuição do PIB americano: 32,9%. A maior parte dos órgãos de comunicação portugueses limitou-se a lançar os números sem os explicar.

Em Portugal, no segundo trimestre, a economia recuou 16,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior; 14,1% se compararmos com os 3 primeiros meses de 2020.  

No entanto, os EUA não utilizam a mesma metodologia que é utilizada no nosso continente, razão pela qual os 32,9% não devem comparados com os dados de Portugal e/ou dos restantes países da União Europeia. Aquele valor refere-se à evolução da economia no segundo trimestre numa base anualizada (ou seja, os 32,9% correspondem à diminuição do PIB anual no pressuposto de que nos restantes trimestres a economia tenha a mesma evolução, o que é pouco provável). Nos países na União Europeia, os dados indicam a variação efetiva do PIB em comparação com o mesmo período do ano anterior (variação homóloga) ou com os 3 meses anteriores (variação em cadeia).

Muito pior do que transmitir os números sem explicar o respetivo enquadramento (o que fez a maioria dos canais de televisões portugueses) é tentar comparar os dados portugueses (seja os valores homólogos ou em cadeia) com os 32,9% dos EUA. Quem quiser comparar os dados de qualquer país da União Europeia com os EUA pode fazê-lo utilizando os 9,5% relativos à diminuição do PIB norte-americano em relação ao trimestre anterior (em cadeia).