Ontem, o Jornal de Notícias noticiava que o
“recorde de casas construídas no Porto não faz baixar preços”. O preço de um
bem é um nivelador da oferta e da procura. Se o preço de um bem subir, a
procura diminuirá e a oferta aumentará. Pelo contrário, a diminuição do preço
de um bem implicará um aumento da procura desse bem e uma diminuição da oferta.
Em suma, os produtores e os consumidores reagem ao preço dos bens produzindo
mais ou menos e comprando mais ou menos, respetivamente.
No setor da habitação, o aumento do preço das
casas (e das rendas) provocou um aumento da construção de casas (ou seja, da
quantidade oferecida) — antes disso, o aumento da procura provocara o aumento
dos preços das casas e das rendas das casas para habitação. Foi o aumento dos
preços das casas e das rendas que avisou os construtores para a necessidade de
construir mais; o preço é determinado pela interação entre a procura e a
oferta.
O aumento dos preços das casas e das rendas
contribui para que a rentabilidade esperada dos construtores aumente e, por
isso, eles decidam construir mais casas. Quando o número novas de casas
construídas (ou remodeladas/reconstruídas) ultrapassar a procura, os preços
baixarão. Se o número de casas construídas não fizer baixar os preços, é porque
a procura ainda é superior à oferta.
Depois de o número de novas casas construídas
ter diminuído drasticamente entre 2002 e 2015, nos últimos anos temos assistido
a uma recuperação ténue. Atualmente, o número de casas construídas ainda é
muito baixo relativamente à procura, não sendo suficiente para estabilizar e/ou baixar o preço.
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