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domingo, 23 de agosto de 2026

Educação Financeira

 

Os estudos realizados em matéria de Educação Financeira posicionam os portugueses entre os que têm menos literacia financeira. Trata-se de um tema que deveria ser alvo de atenção por parte dos políticos, com a existência de um plano concreto que permita adquirir um conjunto de conhecimentos necessários à tomada de decisão consciente e informada dos riscos de cada um dos inúmeros instrumentos existentes.

Internacionalmente, as várias organizações têm destacado as matérias da literacia financeira, incentivando os países a adotarem medidas que permitam aumentar o nível de conhecimentos da população nesta área.

Em Portugal, apesar de existir, inclusive, um referencial de Educação Financeira e de o tema fazer parte dos conteúdos de Cidadania, nas escolas tem sido dada pouca importância à literacia financeira. Na minha opinião, deveria existir uma disciplina de Educação Financeira para que a literacia financeira de cada um não dependa exclusivamente da formação autodidata.

A literacia financeira faz bem à saúde das pessoas, não só porque permite adquirir os bens indispensáveis à sobrevivência, mas também porque a liberdade pressupõe que sejamos capazes de decidir o que queremos. O bem-estar e a qualidade de vida de uma pessoa dependem, também, do bem-estar financeiro.

Infelizmente, ainda ontem assisti à intervenção de uma comentadora na televisão, que propalou uma série de mitos sobre alguns dos instrumentos financeiros que mais têm contribuído para que as pessoas obtenham retornos muito interessantes com o seu dinheiro.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Falta de professores

 

Com o início do ano letivo, volta a ser notícia a falta de professores, principalmente em algumas zonas onde o custo de habitação é superior. Refira-se que, além daquelas, há escolas situadas noutras zonas do país que também têm dificuldade em contratar os professores de que necessitam.

A médio/longo prazo, o governo terá de preparar e pôr em prática uma estratégia que permita formar mais professores. A curto prazo, o problema apenas pode ser minorado e há uma medida que, se fosse implementada, resolveria parte significativa do problema: a atribuição de um subsídio para ajudar os professores a pagar a deslocação e o alojamento quando forem colocados numa escola localizada longe da sua área de residência. O valor do subsídio deveria ser atribuído em função da distância (quanto maior a distância, mais elevado seria o subsídio)  

Um professor contratado ganha, em termos líquidos, entre 1100 € e 1200 € (com horário completo). Apesar de continuar a haver alguns professores não colocados (a maioria reside no Norte do país), os mesmos não estão disponíveis para trabalhar a centenas de quilómetros da sua área de residência auferindo valores tão baixos.  

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Ranking das escolas

 

Nos últimos dias, depois de serem conhecidos os rankings das escolas, uma amálgama de gente discorreu sobre a importância deste estudo: uns aplaudem-no; outros dizem que não faz sentido. 

Pessoalmente, considero o estudo positivo, uma vez que permite analisar alguns parâmetros importantes relativamente ao trabalho que as escolas portuguesas têm desenvolvido. Considero que a média de exame é um dos critérios mais adequados para se avaliar a posição de uma escola, dado que se trata de um tipo de avaliação externa com um comprometimento elevado por parte dos alunos. Compreendo a posição de alguns críticos dos rankings, que desvalorizam o estudo e criticam-no por ele ter em conta escolas de índole diferente. É verdade que as escolas públicas integram alguns alunos que, devido ao meio socioeconómico em que vivem, não estão em condições de competir com os alunos das escolas públicas, pelo que parte da disparidade dos resultados obtidos pode ser explicada por aqueles fatores.

Mais do que olhar para os números de forma isolada, gosto de olhar para as tendências e os dados históricos existentes mostram que as escolas públicas têm vindo a perder preponderância no ranking.

Relativamente à comparação entre as notas obtidas no exame e as notas dadas internamente, não observo nenhuma diferença significativa entre os dois tipos de escola: tanto nas escolas públicas como nas privadas, em geral, as notas internas são superiores às notas obtidas nos exames. A exceção está nas escolas que não estão tão bem classificadas: em algumas das escolas com piores notas, a diferença entre as notas obtidas nos exames e a nota final é muito grande — escolas com nota interna de 14 ou 15 valores têm média de exame de 8 ou 9 valores.

Como se trata de médias e por isso não é possível identificar quais são os alunos cuja diferença entre a nota obtida no exame e a nota interna é superior, acredito que parte significativa das diferenças verificadas esteja nos alunos com notas mais baixas…