Vivemos tempos muito tumultuosos, em que quase tudo o que é dito pelos políticos e analisado de forma incessante pelos comentadores apenas serve o mexerico e a inutilidade. Tudo é espetáculo, para ser consumido num curto período, mesmo provindo dos que têm o dever de olhar para os temas de forma séria, racional e ponderada.
Não existe planeamento estratégico nem antecipação dos problemas. Ninguém é capaz, por incompetência ou motivos eleitorais/ideológicos, de antecipar os efeitos das medidas que sugere ou executa. Muitas das situações a que assistimos atualmente, em Portugal e noutros países europeus, eram previsíveis há muito. Aliás, muitos desses problemas têm origem em medidas tomadas no passado.
Os debates e comentários promovidos pelos meios de comunicação social, muitas vezes enviesados ou descontextualizados, seguem a mesma bitola: apenas promovem espetáculo, não identificando as causas, os responsáveis, nem as soluções.
Lamento dizer, mas os problemas não serão resolvidos se as verdadeiras causas continuarem a ser ignoradas. O espetáculo não resolve problemas; apenas os esconde, agravando-os.