Os
limites impostos pelo Estado aos preços são um dos temas mais discutidos e
analisados em termos económicos. Atualmente, em vários setores discute-se a
possibilidade de o Estado impor um limite aos preços de determinados produtos
(combustíveis fósseis, arrendamento, etc.), ajudando desta forma as famílias severamente
prejudicadas pelo aumento dos preços.
A
ciência económica ensina-nos que a imposição de um preço inferior ao preço de
mercado origina um aumento da procura e uma diminuição da oferta. Os vendedores
têm menos incentivos para produzir ou comercializar e, por isso, a quantidade oferecida
do bem não é suficiente para satisfazer toda a procura.
No
início da semana, o Jornal de Notícias informava que “novos limites ao
arrendamento contêm preços em Barcelona”. Se o Governo tem a capacidade de
impor limites máximos nos preços dos bens, então os preços deverão descer. O
problema dos limites não está na eficácia da “contenção”, mas no resultado
global da medida. Que interesse económico e social tem uma medida que permite a
diminuição dos preços para alguns (poucos), se houver cada vez mais gente a
ficar fora do mercado?
A
limitação dos preços afasta vendedores, leva ao racionamento dos bens que estão
no mercado (que existem cada vez em menor quantidade), incentiva o mercado
negro e, no médio/longo prazo, reduz a qualidade dos bens transacionados. Com a
impossibilidade de cobrarem os valores considerados justos, os proprietários
não estarão disponíveis para gastar tanto em obras de conservação e remodelação
das casas.
O
preço de um bem é o sinalizador da oferta e da procura: quando desce, os
consumidores compram mais e os vendedores vendem menos; quando sobe, os
consumidores compram menos e os vendedores oferecem mais. Apesar das possíveis
boas intenções dos governos, a imposição de limites máximos de preços
repercute-se num problema cada vez maior no médio/longo prazo. Portugal tem uma
tradição, ainda anterior à Revolução dos Cravos, de controlo de rendas. Os
resultados desse controlo traduziram-se em falta de casas para arrendar e na degradação
substancial das casas existentes, por falta de manutenção.
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