A invasão da Ucrânia pela Rússia veio provocar uma crise cerealífera, uma vez que aqueles dois países são dos maiores produtores de cereais do mundo. Na comunicação social vejo várias personalidades, incluindo ministros, a defenderem a aposta dos agricultores portugueses na produção de cereais, como forma de nos tornarmos menos dependentes das importações de cereais — atualmente, Portugal produz cerca de 18% dos cereais que consome.
Caberá a cada
agricultor decidir se pretende ou não produzir cereais, mas, em termos de
estratégia nacional, o incentivo à produção de cereais é contraproducente. Se Portugal
não é competitivo na produção de cereais, principalmente por causa das questões
de solo e de clima, o custo de oportunidade é demasiado elevado para que
prescindamos da produção de outros bens em que somos mais competitivos para nos
dedicarmos à produção de bens cuja vantagem está do lado dos nossos concorrentes
internacionais.
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