Quase todos consideramos, e os dados evidenciam-no, que a
riqueza está mal distribuída. Todos os dias vemos ou lemos alguma notícia sobre
a acumulação de riqueza por parte de uns poucos, enquanto muitos outros têm
parcos recursos financeiros que não lhes permitem viver condignamente.
Não há dúvidas de que a enorme desigualdade existente na
distribuição da riqueza é, moralmente, difícil de compreender. É pouco
compreensível que, na mesma sociedade, haja pessoas com tantos recursos e
outras sem os recursos indispensáveis à sobrevivência em condições mínimas de dignidade.
O sistema económico assente no mercado livre permite que os mais bem-sucedidos
consigam acumular riquezas desproporcionais relativamente à generalidade da
população. Nos países que seguem outros sistemas económicos mais planificados
também há pessoas e famílias com riquezas muito elevadas, mas, nestes casos,
não é o sucesso nem o mérito que lhes permite aceder àquele nível… Ainda não
foi encontrado um modelo que, simultaneamente, incentive as pessoas a
desenvolver soluções cada vez mais criativas e inovadoras para a sociedade e
permita limitar o acesso exagerado aos recursos por parte de uma pequena porção
da população.
O termo riqueza tem sido usado constantemente pela
comunicação social e pelos políticos de forma errada ou, pelo menos, enviesada.
A riqueza é, no fundo, a diferença entre os ativos que uma pessoa ou família
detém, depois de subtraídas as respetivas dívidas. Convém ressalvar que a
maioria dos ativos das pessoas mais ricas está relacionada com participações em
empresas. Ou seja, uma pessoa que seja sócia ou acionista de uma empresa em
ascensão ou consolidada com elevado valor de mercado terá muitas hipóteses de
figurar nas listas dos mais ricos. Se é verdade que o seu património inclui
aquela participação na empresa (e que a empresa tem elevado valor), também é
verdade que ele contribui imenso para a sociedade (através do emprego,
contributo para o PIB…). Se não houver cuidado, rigor e imparcialidade nas
notícias veiculadas pela comunicação social acerca da riqueza das pessoas mais
ricas, o público fica com uma ideia errada de que a riqueza acumulada diz
respeito a dinheiro ou imóveis detidos quando, na verdade, uma percentagem
muito elevada está relacionada com a participação em negócios. Quando olhamos para
a composição da riqueza de alguns dos bilionários mais conhecidos mundialmente,
facilmente concluímos que uma percentagem muito elevada, em alguns casos bastante
superior a 90%, está relacionada com participações em empresas. Apesar de o
remanescente ainda representar valores avultados em comparação com a
generalidade da população, não podemos ignorar que a riqueza acumulada por
alguns dos mais ricos está concentrada em participações em empresas que os
próprios constituíram ou adquiriram.
Além da ignorância ou má intenção de algumas notícias ou
artigos de opinião ao ignorarem a composição da riqueza, alguns jornalistas ou comentadores
também confundem ou pretendem ocultar a diferença entre riqueza e rendimento.